Ah, a maternidade! Uma jornada linda, desafiadora e cheia de reviravoltas. E quando os filhos adolescentes chegam, parece que a gente entra numa montanha-russa sem cinto de segurança.
Mas e se eu te disser que, mesmo com essa fase intensa, você não precisa abandonar seus próprios sonhos? Que aquela culpa que insiste em te visitar quando você pensa em si mesma, essa culpa, não te pertence?
Vem comigo que eu te conto como a gente, eu e meu marido Egídio, aprendemos isso na prática, com direito a barco, expressões de desânimo e uma viagem para a Europa que não deu certo.
O Passeio Que Mudou Tudo (E a Chegada dos Filhos Adolescentes)
Florianópolis, 2019, um dia lindo, sol na pele, brisa no rosto. Eu, meu marido Egídio e nossos filhos. Estávamos em um passeio de barco pela Lagoa da Conceição, um paraíso que já era nosso lar por um tempo, desde 2017. A vida na ilha tem um ritmo diferente, um convite constante ao mar, à natureza. E foi num desses passeios de barco que a ideia surgiu. Aquela ideia que a gente joga no ar, meio brincando, meio a sério: “E se a gente morasse num barco?”
A reação? Ah, as reações! Minha filha, com seus 9 anos, já torceu o nariz. Meu filho, o adolescente de 15, fez aquela cara de “mãe, você enlouqueceu?”. E a gente? A gente riu, mas a sementinha estava plantada. Porque é assim que a gente funciona: quando um sonho aparece, por mais louco que seja, a gente não ignora. A gente acolhe, matura e, se der, vai atrás. E essa é a primeira lição que aprendemos (e que nossos filhos adolescentes, sem saber, absorveram): a vida é feita de sonhos, e eles merecem ser vividos.
Aos 20 Anos, Eu Já Sabia o Que Era Sonhar Grande
Essa história de “se jogar” não é de hoje. Em 1997, eu tinha 20 anos. Minha irmã gêmea, que estudava em uma faculdade particular em São Paulo, conseguiu uma transferência para uma estadual em Florianópolis, gratuita. Fui visitá-la em um final de semana e, pronto, me apaixonei. Voltei para São Paulo, pedi as contas do meu trabalho (sim, aos 20 anos, sem pensar duas vezes!) e fui. Meu namorado na época, hoje meu marido Egídio, acabou indo junto. Moramos lá por seis meses. A situação ficou difícil, a gente não conseguia emprego, e tivemos que voltar para São Paulo.
Foi um baque, claro. Mas a semente da coragem, da aventura, de seguir o coração, já estava ali. Eu não tinha filhos adolescentes na época, mas já era uma “mãe” dos meus próprios sonhos. E essa experiência, de ir e voltar, de tentar e nem sempre conseguir, me ensinou que a vida é um eterno recomeço. E que a gente não pode ter medo de tentar. Essa é a base de quem eu sou, e é a base do que, sem querer, eu e Egídio passamos para nossos filhos.
“Como Nossos Pais”: A Elis Tinha Razão
Sabe aquela música da Elis Regina, “Como Nossos Pais”? É exatamente isso! Quando a gente é adolescente, a gente jura de pé junto que nunca vai ser como nossos pais. A gente tem vergonha, a gente acha que eles não entendem nada, a gente quer ser diferente.
E aí, a vida dá uma volta. E a gente se pega fazendo as mesmas coisas, tendo as mesmas preocupações, e até usando as mesmas frases! Nossos filhos adolescentes estão vivendo isso agora. Eles nos olham com aquela cara de “que mico!”, mas no fundo, estão nos observando. Estão aprendendo. E, um dia, eles vão entender que a gente, assim como eles, também está em constante transformação.
Duas Fases de Transformação: Pais 40-50 e Filhos Adolescentes
É engraçado pensar que, quando nossos filhos estão na adolescência, nós, pais, também estamos em uma fase de grandes mudanças. Eles, entre os 12 e os 18 anos, estão descobrindo quem são, testando limites, buscando identidade, tentando se encaixar em grupos e, claro, morrendo de vergonha dos pais. É uma explosão hormonal e emocional natural.
Nós, pais entre 40 e 50 anos, estamos em outra explosão. A gente já passou da fase de construir carreira e criar filhos pequenos. Agora, a gente começa a se olhar no espelho e pensar: “E eu? O que eu quero para mim? Quais sonhos eu deixei guardados?”. É a fase de redescobrir paixões, de querer aproveitar a vida com mais intensidade, de realizar aqueles desejos que ficaram em segundo plano por tanto tempo. É a nossa “segunda adolescência”, só que com mais boletos e menos espinhas.
O choque acontece porque são duas fases de transformação muito intensas, mas em direções opostas. Enquanto eles querem se descolar da família para encontrar seu lugar no mundo, a gente quer se reconectar com a gente mesma, com nossos desejos, e muitas vezes, com o mundo lá fora. E aí, quando a gente propõe um barco, uma viagem, uma aventura, eles olham com aquela cara de “por que vocês não podem ser normais?”.
A Saga do Barco: Sonho, Trabalho e Caras Fechadas
A ideia do barco, que nasceu em Floripa em 2019, ficou incubada. Em 2020, a pandemia nos pegou de surpresa e tivemos que voltar para São Paulo para manter o trabalho do Egídio. O mundo parou, mas a saudade do mar só cresceu. E aquela ideia do barco? Ela voltou com força total. Encontramos um, e como somos de “se jogar”, compramos. Tudo muito rápido.
A partir daí, todos os finais de semana eram em Ubatuba, no barco. E não pense que era só glamour! Um barco na água exige manutenção constante. Tinha muito trabalho, não vou mentir. Mas era uma energia incrível, um dos momentos mais maravilhosos da minha vida. O barco era pequeno, a gente mal conseguia ficar em pé, mas a alegria de estar no mar, de cuidar do nosso cantinho flutuante, era imensa.
Mas e as caras fechadas dos nossos filhos adolescentes? Ah, essas eram uma constante. Por mais que a gente curtisse, parecia que eles estavam indo viver um pesado. A gente via o desânimo, a falta de vontade. Era ruim ver aquelas expressões. A gente se perguntava: “Será que estamos forçando a barra? Será que eles estão infelizes?”. A culpa materna, aquela velha conhecida, batia forte.
A gente pensou: “Talvez seja o conforto”. Vendemos o barco pequeno e compramos um maior. Mais espaço, mais conforto, mais satisfação para nós. Mas as caras? As caras eram sempre as mesmas. Não importava o tamanho do barco, a paisagem ou o conforto. Para eles, era “o programa dos pais”, e isso, por si só, já era motivo para torcer o nariz.

A Tentativa na Europa: Uma Mudança Grande Demais
A vida seguiu seu curso, e em 2022, veio outro grande sonho: morar fora do país. Dessa vez, a gente não estava comprando um barco, mas sim uma nova vida. Fomos para a Europa. Era uma aventura, uma chance de recomeçar, de viver novas experiências.
Mas, diferente do barco, essa era uma situação mais delicada. Era uma mudança de vida radical, não um passeio de final de semana. E, infelizmente, nossa filha não se acostumou. Ela sentiu muito a falta da família, dos amigos, da rotina dela. E, como pais, a gente precisou tomar uma decisão difícil. Um ano depois, tivemos que voltar para o Brasil.
Foi outro baque. Um sonho adiado, uma tentativa que não deu certo como esperávamos. Mas, mesmo com a frustração, aprendemos uma lição valiosa: nem todo sonho é para ser vivido a qualquer custo. E nem toda mudança é bem-vinda por todos. A gente precisa ter a coragem de tentar, mas também a sabedoria de reconhecer quando é hora de recuar, especialmente quando envolve o bem-estar dos nossos filhos adolescentes. Se esse assunto te interessou, confira nosso artigo completo sobre essa experiência: https://boramenina.com/mudar-de-pais-com-adolescentes/
O Ponto Crucial: Não Anular Seus Sonhos (Essa Culpa Que Não Te Pertence)
Depois de tudo isso, a gente aprendeu uma coisa fundamental: não podemos anular nossos desejos e sonhos por causa deles. Aquela culpa materna que nos assombra quando queremos algo para nós mesmas? Ela não nos pertence. Ela é uma construção social que nos diz que, ao nos tornarmos mães, devemos nos anular em prol dos filhos. E isso é uma grande mentira.
Nós, pais, temos o direito e a necessidade de ter nossos próprios projetos, nossas paixões, nossos momentos. Não é egoísmo, é sobrevivência. É saúde mental. É mostrar a eles que a vida é muito mais do que a rotina, a escola e as redes sociais. É mostrar que a vida é sobre buscar o que te faz feliz, sobre se aventurar, sobre se reinventar.
Sim, eles vão fazer cara feia. Sim, eles vão reclamar. Sim, eles vão preferir ficar no quarto jogando videogame. Mas a gente não pode deixar que isso nos impeça de viver. Porque, no fundo, o que estamos ensinando a eles? Que quando a vida adulta chega, os sonhos morrem? Que a gente precisa se sacrificar por completo? Não! Estamos ensinando o contrário.
A Dinâmica do Casal: Le e Egídio, Sonhos e Realidade
Nessa jornada de sonhos e desafios, eu e Egídio somos uma dupla e tanto. Eu sou muito prática. Se vejo uma oportunidade, se acho que vai ser legal e que é possível, eu faço. Não fico matutando muito a ideia. Sou de ir lá e resolver. Egídio me acompanha no pensamento. Ele é um pouco mais “curto e grosso” com as crianças, sim, mas também tem um coração mole. Quando a gente conversa e ele enxerga o ponto de vista deles, ele amolece. Ele briga querendo que eles enxerguem as coisas com os olhos de adulto. Mas quando conversamos, eu lembro: “Você era assim? Nunca foi adolescente?” E aí ele faz uma visita ao passado, vê que também deu trabalho na adolescência, que ele não era tão tranquilo e centrado como pede para as crianças serem. E entende. É assim que a gente navega: a compreensão que só vem quando você se vê no espelho do outro.
Essa dinâmica é importante. Juntos, a gente equilibra a balança entre a realização dos nossos sonhos e a compreensão das necessidades dos nossos filhos adolescentes. Eles veem essa parceria, essa união, e isso também é um exemplo. Eles veem que, mesmo com as diferenças, a gente se apoia e segue em frente.
8 Dicas Práticas Para Ser Mãe Sem Anular Seus Sonhos
Depois de todas essas aventuras e desventuras, aprendemos algumas lições valiosas que quero compartilhar com você, mãe de filhos adolescentes, que também está nessa fase de redescoberta:
1. Não Desista do Seu Sonho, Mesmo Com as Caras Fechadas: A história do barco é a prova. Eles fizeram cara feia, reclamaram, mas a gente foi. E sabe o que é mais legal? Hoje, eles lembram do barco com carinho. As memórias boas superaram as caras fechadas. Se tivéssemos desistido, não teríamos essas memórias. “E quantas vezes eles entraram na onda e se deixaram levar, foram momentos inesquecíveis”.
2. Respeite o Tempo Deles, Mas Não Se Anule: A adolescência é uma fase. Eles estão se transformando, e isso é exaustivo para eles. Não é pessoal. Entenda que eles têm outras prioridades, mas isso não significa que suas prioridades devem ser canceladas.
3. Inclua, Mas Não Dependa da Vontade Deles: Convide-os para seus programas, para seus sonhos. “Vocês vêm para o barco?”. Se disserem não, tudo bem. Vá você. Curta. Sua felicidade não pode depender da aprovação ou da participação deles.
4. Seja Autêntica e Curta de Verdade: Se você for para o seu programa com cara de quem está se sacrificando, eles vão sentir. Mas se você for e curtir de verdade, com alegria e paixão, essa energia é contagiante. Eles podem não demonstrar na hora, mas observam.
5. Compartilhe Suas Razões (Mas Não Se Justifique Demais): Explique por que aquele sonho é importante para você. “Porque eu mereço aproveitar a vida”, “Porque isso me faz feliz”, “Porque eu também tenho meus projetos”. Não é para pedir permissão, é para compartilhar sua humanidade.
6. Aceite as “Caras Fechadas” Como Parte do Processo: Elas vão acontecer. Não significa que você está errada ou que eles te odeiam. Significa que eles são adolescentes. Respire fundo, ignore (com amor, claro!) e siga em frente com seu plano.
7. O Legado do Exemplo é Poderoso: Eles podem não verbalizar, mas estão absorvendo. Ver você correndo atrás dos seus sonhos, mesmo com as dificuldades, é a maior lição de vida que você pode dar. É mostrar que a vida é para ser vivida, não apenas suportada. Hoje minha filha fala que gostaria voltar a morar em Floripa, mas quando a gente morava lá, ela sempre dizia que queria voltar para São Paulo. 🤔
8. Sonhos Guardados São Promessas, Não Fracassos: A tentativa na Europa não deu certo, mas o sonho de morar fora continua guardado. Isso mostra resiliência. Mostra que a gente pode adiar, mas não precisa abandonar. E essa esperança também os inspira.
O Legado: Meu Filho na Austrália, Seguindo o Próprio Caminho
E sabe qual é a maior prova de que essa nossa forma de viver, de sonhar e de se jogar, deu certo? Nosso filho. Aquele mesmo que, em 2017, se encontrou em Floripa e sofreu ao voltar para São Paulo. Aquele que fazia cara feia com algumas das nossas ideias. Hoje, ele está na Austrália, super feliz, seguindo o caminho dele.
Em 2022, quando fomos para a Europa, ele seguiu para a Oceania em busca do próprio destino. Ele não teve medo de ir, de tentar, de se aventurar. Ele não teve medo de se jogar, assim como eu fiz aos 20 anos em Floripa. Assim como eu e Egídio fizemos com o barco. Assim como tentamos fazer na Europa.
Ele viu que a vida é para ser vivida, que os sonhos são para serem perseguidos. Ele viu que os pais dele não se anularam, que eles correram atrás do que acreditavam. E isso o inspirou a fazer o mesmo. Não é sobre o barco, não é sobre a Europa. É sobre a coragem da busca, da realização.

Encerramento: Sonhos Adiados Não São Sonhos Perdidos
Ser mãe de filhos adolescentes é uma fase de muitas descobertas, tanto para eles quanto para nós. É um período de transição, de desafios, de caras fechadas e de muito amor. Mas, acima de tudo, é uma oportunidade de mostrar a eles, pelo exemplo, que a vida é uma aventura.
Você era adolescente e não entendia seus pais. Seus filhos adolescentes não entendem vocês agora. Mas um dia, eles vão entender. Vão entender que aquelas caras fechadas eram só a adolescência falando mais alto. Vão entender que vocês não estavam sendo egoístas, mas sim, ensinando a eles a importância de viver uma vida plena e autêntica.
Eles podem não seguir os mesmos caminhos, não ter os mesmos sonhos. Mas terão a coragem de buscar os próprios. E talvez, um dia, eles se peguem contando para os próprios filhos sobre os pais que compraram um barco, que tentaram morar na Europa, que se jogaram na vida. E dirão: “Meus pais realizaram os sonhos deles. Eu posso fazer o mesmo.”
Então, mãe, não deixe que a culpa te paralise. Não anule seus sonhos. A vida continua, e você merece vivê-la em sua plenitude. Seus filhos adolescentes, por mais que torçam o nariz agora, um dia vão te agradecer por ter mostrado a eles o verdadeiro significado de sonhar e realizar. E quem sabe, o seu próximo sonho não te espera logo ali. A gente está sempre pronto. E você?
E você, mãe? Qual sonho você está adiando por culpa? Compartilhe nos comentários – vamos nos inspirar mutuamente!
✅ Última Verificação: 15 de dezembro de 2025




